Do Politicamente Correto

Até uns anos atrás, eu tinha orgulho em me dizer politicamente incorreto. Achava que zoação fazia parte da vida, então foda-se. Achava que direitos humanos eram para humanos direitos. Felizmente, graças à maturidade, às porradas da vida e às leituras budistas, fui aprendendo o quanto isso era reprovável.

Foi um processo longo e penoso. Comecei devagar, reconhecendo meus erros, me debatendo entre mudar e me manter como era. Aprendi muito com muita gente.

Hoje me afirmo politicamente correto. Se tentar não magoar ou ofender ou denegrir ou fazer pouco de alguém é ser politicamente correto, então... é isso que eu quero ser e é isso que eu quero que pensem que eu sou.

É possível escolher quem eu quero ser. Serei aquele que perde o amigo mas não perde a piada, ou serei aquele que busca o bom convívio com todos os que estão à sua volta?

As pessoas falam ah, mas o mundo é feito de zoação e não há como mudar isso. Digo que tem como mudar sim. Posso não ser capaz de mudar o mundo, mas sei como é o mundo em que eu quero viver e pelo menos mudo a mim. Já é uma grande vitória.

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Tudo isso pra apresentar mais um dos excelentes textos do Alex Castro pro Papo de Homem: Politicamente Correto, Uma Defesa.

Se você é politicamente correta, querida leitora, este texto é pra você.

Mas se você é politicamente incorreta, então... aí sim que este texto é pra você.

Como Gerar Menos Lixo?

Há um tempo, estabeleci pra mim que quero gerar cada vez menos lixo. Aos poucos estou aprendendo maneiras de ser menos poluidor. Aqui estão as coisas que tenho conseguido fazer.

Para trazermos menos sacolinhas plásticas pra casa, encomendamos duas boas bolsas de pano, resistentes, que estão conosco firmes e fortes há anos. Além disso, fomos colecionando outras bolsas de tecido, que sempre carregamos quando vamos fazer compras.

Com a ajuda deste vídeo reduzi o número de toalhas de papel que eu uso. Parece que é bobagem, mas deixar de gastar três ou quatro folhas de papel depois de lavar as mãos é uma baita diferença.

Ao fazer compras de legumes e verduras, eu não os coloco naquelas sacolas plásticas brancas transparentes dos mercados. Afinal de contas, pra que levar essas sacolas se a primeira coisa que eu faço quando chego em casa é jogá-las fora? Ponho tudo solto no carrinho de compras. O pessoal do caixa acha diferente, mas e daí?

Quando compro uma coisa só no mercado, se esta coisa já vem ensacada (como pão de forma) eu não pego a sacolinha. Pra que guardar na sacola o que já está em uma sacola?

Deixei de comprar bebidas engarrafadas para levar em minhas caminhadas. Comprei garrafas térmicas e ponho água ou sucos naturais nelas.

Plantei uma horta, que é adubada com as cascas dos legumes e frutas que consumimos.

Parei de comprar jornal e raramente compro revistas.

Evito usar material descartável. Quando uso, evito descartar.

Meus próximos objetivos são descobrir lugares onde comprar produtos a granel perto de casa e destinar meu lixo para centros de reciclagem.

Alguma leitora tem outras sugestões?

As Fotos de Elisa

Como tudo começou? Ah, foi numa manhã de segunda feira, eu tava sentada bem aqui, mesmo, e Elisa chegou com um sorriso desse tamanho assim. Ela estava começando a curtir a vida de solteira, depois de uma separação traumática que se arrastou durante alguns meses. Tinha passado o feriadão em Jericoacoara, com suas amigas do curso de canto. Contou que conheceu um carinha por lá e pegou o celular pra me mostrar as fotos. Quase o deixou cair no chão quando encontrou uma foto dela mesma, dormindo em sua cama, na noite anterior.

Depois que o susto passou, chegamos à conclusão de que ela deveria ter chegado tão cansada e cheia de bagagem no domingo à noite que acabou esquecendo a porta aberta. Daí algum maluco do prédio entrou, tirou a foto e saiu. De manhã, talvez não tenha nem reparado que a porta ainda estava aberta. No fim do dia fui com ela até a delegacia para fazer um boletim de ocorrência, onde tivemos que aturar o risinho debochado do escrevente, que achou que ela tava de brincadeira.

Chegou no trabalho no dia seguinte com os olhos saltados. Garantiu que tinha trancado a porta e dormido à base de calmante, mas quando foi olhar o celular de manhã lá estava outra foto sua, tirada naquela madrugada. Mal conseguiu trabalhar, a coitada. Eu tentei convencê-la de todas as maneiras a ir dormir na minha casa, mas nada deu jeito. Insensível aos meus protestos, decidiu ir pra casa, dizendo que iria virar a noite à base de café e energéticos.

E assim fez. Saiu da oficina, passou no mercado, encheu o carrinho com as bebidas mais fortes que encontrou e foi pra casa. Foi a primeira a chegar no dia seguinte e tinha olheiras de dar dó. Mas dizia estar mais tranquila, porque viu o dia amanhecer tomando um energético atrás do outro e ninguém tinha entrado no apartamento. E pegou o celular para provar.

Seu grito assustou a todas. Lá estava uma nova foto, ela de costas, enquanto tomava banho naquela mesma manhã. Nossa diretora deu o dia de folga pra ela e finalmente consegui convencer Elisa a ir pra minha casa e dormir por lá. Ela falou que ia passar em seu apartamento para pegar umas roupas e depois iria pra minha casa.

Assim que ela saiu, liguei para minha esposa para avisar. Nós já tínhamos conversado sobre o que estava acontecendo e ela tinha apoiado a ideia de receber a Elisa por uns dias. Pedi para que me ligasse quando ela chegasse por lá, pra me deixar tranquila.

Quem acabou ligando fui eu, porque não tinha como a Elisa não ter chegado lá em casa ainda... já era mais de meio-dia! Paula me falou que, realmente, nem sinal dela. Liguei pra Elisa.

Com a voz trêmula, pediu desculpas por ter mentido pra mim e disse que tinha saído da cidade. Estava com medo de estar sendo perseguida por alguém e decidiu fugir por uns dias. Disse que foi de carro até a rodoviária, comprou uma passagem para não-me-disse-onde e já estava longe. Falou que ia se trancar em um hotel pra ver se as fotos paravam.

A polícia a encontrou seis dias depois. Tinha se enforcado dentro do quarto dum hotel de beira de estrada perto de Blumenau. A seus pés, encontraram seu celular.

Nele, a foto mais recente era de seu corpo pendurado no quarto do hotel.